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A REDAÇÃO COMO EXPRESSÃO DO EU - UMA EXPERIÊNCIA GESTÁLTICA NA EDUCAÇÃO
Maria Aparecida de Freitas Romais
"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança, se ao nascer,
Reparasse que nasceu deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo..."
(Alberto Caieiro)

"Estou vendo e ouvindo algo diferente do meio escolar.
Sim, é um pássaro cantando!
Quem diria que entre deltas, eras, letras, números e aprendizado, cantaria
um pássaro".
(Lucas Hildebrand - aluno)

Introdução

Contextualização da experiência

Este trabalho é produto da experiência que tive no Colégio Bom Jesus, de Joinville, SC, durante quatro anos - de 1994 a 1998, como professora do Laboratório de Redação, com alunos dos primeiros anos do segundo grau. Na época, eu contava com uma significativa experiência como professora de português e redação, pois já estava aposentada como professora. Como psicóloga, estava terminando minha formação em Gestalt Terapia.

Convidada para ser professora do Laboratório de Redação, não hesitei em redigir um projeto sob a orientação dos princípios filosóficos e
metodológicos da Gestalt Terapia. Um dos livros em que busquei bastante subsídios foi: Gestaltpedagogia - um caminho para a escola e a educação, mas o meu entusiasmo pelas idéias da Gestalt começou quando ainda estava no segundo ano da faculdade de psicologia e li um artigo: Anne - Técnicas Gestalt com uma Mulher com Dificuldades Expressivas, assinado por Joen Fagan, que muito me ajudou num trabalho que realizei durante cinco anos com crianças com dificuldades de aprendizagem. Agora, com a animação de uma iniciante, tinha a certeza de que iria finalmente poder aplicar um arsenal de técnicas, experimentos, vivências e o que mais houvesse no que eu considerava como Gestalt Pedagogia.

Lembrei, de pronto, do exemplo do Lago de Constança: E eu não queria que meus alunos, ao entrarem na sala de redação, tivessem a sensação de estarem entrando em terreno perigoso e tivessem bloqueio emocional. Portanto, fazia-se necessário que um bom ambiente físico lhes fosse oferecido.

Procurei então, oferecer-lhes não só um ambiente agradável, mas também um clima emocional amistoso, para que eles pudessem se sentir aceitos em sua individualidade, a fim de que pudessem expor seus sentimentos e suas emoções, tanto na relação comigo e entre si, como através da produção de seus textos.

Desenvolvimento

A) Conteúdo programático x Laboratório de Redação

Não alterei em nada o conteúdo programático; criei somente novas formas de trabalhar os temas. A parte teórica era ministrada por outras professoras em aulas separadas.

O Conteúdo Programático era o seguinte:

- Funções da linguagem:
a) Emotiva - a mensagem é centrada no "eu", subjetiva;
b) Conativa - a mensagem é centrada no destinatário (tu/ você), função apelativa;
c) Metalingüística - há preocupação com o próprio código;
d) Fática - há preocupação com o contato, testa-se o canal de comunicação;
e) Referencial - preocupa-se com a própria informação, com o tema;
f) Poética - está voltada para a própria mensagem, estrutura, lado palpável;
- Descrição;
- Narração.

No Laboratório de Redação, seguindo o conteúdo programático, procurei, através de vivências, dinâmicas de grupo, conversas e debates, propiciar ao educando adolescente, uma vivência autêntica, em sala de aula, de suas questões emocionais, priorizando o respeito e a aceitação do outro como fatores básicos para o aprendizado social. Os debates foram importantes no desenvolvimento do espírito crítico do aluno e na awareness do seu envolvimento com o tema em sua totalidade, no contato sucessivo com suas partes, possibilitando-lhe posicionar-se, defendendo uma idéia específica.

As vivências e as conversas sobre os temas escolhidos pelos próprios adolescentes ampliaram significativamente a compreensão de seus conflitos, sendo fator de identificação positiva na busca de solução. Procurei apresentar-lhes experiências que lhes possibilitassem
desenvolverem-se integralmente nas dimensões: sensorial, afetiva, intelectual, social e espiritual. Que tivessem sempre "uma experiência
global, em que o corpo possa falar e a palavra, encarnar".


B) Entendimento gestáltico da forma operacional.

As primeiras atividades tinham o objetivo de promover a conscientização externa e interna, as facilidades e dificuldades de fazer contato com o ambiente externo e com o outro, além do que estabelecia um clima de confiança, um meio psicológico propício para a criatividade, para a soltura, para o contato verdadeiro e, em decorrência, a produção de textos belíssimos de exteriorização do eu - ou seja, da Função Emotiva da Linguagem.

Dentro desta Função, escolhi alguns exemplos em que podemos perceber como a redação pode ser uma verdadeira forma de expressão do adolescente, do momento em que ele vive: com suas angústias, suas incertezas, suas conquistas, sua alegria, seu deslumbramento perante o mundo e sua imensa vontade de viver.

- Formação de grupo x Espaço psicológico ou comportamental, ou:
- Como transformar um lago de Constança em lugar seguro, em ambiente de confiança.

As primeiras aulas do ano sempre foram destinadas a conversas com o objetivo de promover o entrosamento da turma, a descontração individual e o fortalecimento do ego. Sempre me pareceu que o adolescente, ao verbalizar o nome em voz alta, ao se identificar e falar de si para o grupo, estava como que participando de um significativo ritual de inclusão grupal, onde era importante o seu reconhecimento, ou seja, o estabelecimento de suas fronteiras de self naquele ambiente novo.

Exemplificação:

- Um aluno falava de si batendo as mãos na carteira e sacudindo a cadeira o tempo todo. Ria, olhava para baixo e falava rápido. Parte da turma ria com ele. Perguntei como ele estava se sentindo, ao que respondeu:
- "Bem" - como em tom de - " lógico que estou me sentindo bem".
- O que você está sentindo agora, falando de você? - "Nada" - foi a resposta.
Uma colega o interrompeu: -" Acho que você está nervoso porque não pára de se balançar." Ele parou, ficou sério e a turma também.
- Ah! É, estou nervoso; eu sempre fico assim quando tenho que falar em público.

Enquanto ele falava, os colegas confluentes balançavam a cabeça numa significativa demonstração de que também eles se sentiam assim. Ele falou um pouco mais de si em outro tom e mais devagar. Dali para frente os outros alunos que se apresentaram, me pareceram mais soltos, expressando também suas dificuldades em falar de si, em começar o ano escolar numa nova turma ou num novo colégio. Também aqueles que já tinham falado queriam acrescentar alguma coisa sobre si que era importante. Apesar do riso e das brincadeiras, o clima sempre era de respeito. Depois desta aula os alunos produziam suas primeiras redações, falando de si. Apresento alguns trechos de redações dentro da Função Emotiva, enfatizando algumas frases com grifo.

- Eu sou ... L T S "Quando sentei para fazer esta redação, pensei, pensei, mas não consegui realmente dizer como sou, quem sou. Para mim, dizer quem sou é um desafio. É como derrubar um muro sem deixar vestígios. (mais 9 linhas) Eu sou vida!

Muitas vezes imagino quem será que realmente criou a vida, sou grata a este. Sou uma pessoa que expresso tudo o que sinto. Se preciso chorar, choro, se preciso rir, sorrio. (mais 6 linhas) Mas internamente, o que se passa na minha cabeça ninguém sabe. Ninguém sabe realmente como sou. Às vezes penso que nem eu sei realmente quem sou. Isso me dá medo, um frio na espinha, uma sensação ruim.

Escrevendo isto me senti bem. Eu nunca havia parado e pensado: Puxa, quem eu sou? Quando me deparei com esta pergunta me senti dentro de um quarto fechado, sem saída. Nada sobre mim vinha em minha cabeça. Comecei a escrever aquilo que eu sentia. Iniciei a redação a lápis como uma redação qualquer mas eu senti que não seria uma redação qualquer. Parei, peguei a caneta e nela depositei o meu eu. Talvez tenha sido a pergunta mais difícil que eu já me fiz.

Nunca parei e pensei um pouco em mim mesma. Foi onde descobri o grau da gravidade disto. Saber quem somos é mais que importante. É fundamental. Aquilo que somos refletirá em nossas amizades, em nossas vidas. Tendo uma noção de nós mesmos nossa vida pode ser muito melhor".

- Como estou? A C J - 05/06/96

"Estou na praia e sem a mínima vontade de escrever. Acho que é difícil explicar como estou. Estou deitada, "torrando" debaixo do sol, ouvindo o barulho das ondas do mar e escrevendo a redação. Também estou com muita dor de cabeça, com fome e com sono. Não estou muito bem humorada, acordei assim hoje. Estou chateada com a morte dos Mamonas assassinas; eles não mereciam morrer. A saúde está bem, nenhum problema de vida ou morte, só a dor de cabeça.

Estou tensa, preocupada com alguma coisa, não sei qual o motivo. Fui até a praia e tomei um banho de mar. Agora estou mais aliviada e limpinha depois de um bom banho de chuveiro. Estou mais animada, a dor de cabeça diminuiu. No geral estou bem, normal; afinal, estou com saúde, na praia, e mais ainda,
VIVA!".

- O inverso de mim

Sou feia, gorda, burra e tansa
Mas adoro ser criança (grifo meu)
Assim como ser gansa
Também posso ter uma herança.

Uma herança que veio sem riqueza
Lutando com muita destreza
Que veio sem nobreza
Para engrandecer a minha beleza.

Queria ter asas para voar
Deitar, dormir e ter pesadelos
E não ter hora para acordar.

Só faltou eu dizer
Não sou tão feia, burra e tansa
Mas ainda sou uma criança. (grifo meu)


- Agora - Esse foi o título colocado no quadro. A explicação foi rápida:
- Vocês vão produzir um texto no pátio, falando sobre tudo o que acontece com vocês: o que estão vendo, ouvindo, sentindo no corpo, pensando, recordando, tudo, a partir de agora.

Foi um exercício de conscientização para os alunos e de confirmação para mim, pois acompanhar o processo de produção e depois ler a redação daqueles jovens que se colocavam inteiros em seus textos, me dava alegria e confiança no método aplicado.

- Agora - F L A - 96
" Agora é agora, é tudo que está acontecendo agora. É o que está dentro dessa palavra formada por cinco letras e dita como agora. Não é depois, nem daqui a pouco. Não é ontem, nem anteontem, não é ... ( mais 18 linhas no mesmo estilo do que Perls chamaria de blablablá 8 )

Nossa, que confusão. É melhor eu começar a dar mais tempo para o meu AGORA, do que falar sobre ele. Bom, é difícil dizer como é que estou agora. Logo agora depois de ter feito uma prova. Estou cansada, com um pouco de sono, angustiada e ao mesmo tempo aliviada por ter feito a prova. Mas isto não interessa muito, afinal o dia está lindo. (mais 12 linhas) Nossa, sem me dar conta, já estou saindo do agora e já estou penetrando no meu pensamento de agora, na minha imaginação de agora. Ué, mas o que é que tem, se é nisso que eu estou pensando agora? Agora, mas afinal quando é que é o agora? (mais 4 linhas de explicação).

- Agora - LFNH
"Neste momento em que redijo, vejo a chuva cair. Eu gosto do barulho da chuva, aliás, por mim choveria trezentos e sessenta e cinco dias por ano, sorte que moro em Joinville. Estou sentado na quadra coberta assistindo às crianças do primário fazerem Educação Física. Ah! Quão afortunadas são elas. (mais 14 linhas) Estou vendo e ouvindo algo diferente do meio escolar. Sim, é um pássaro cantando! Quem diria que entre deltas, eras, letras, números e aprendizado, cantaria um pássaro. Mas isso é só questão de filosofia. Este lugar poderia
ser qualquer um, no entanto é destinado ao nosso saber, ao nosso aprender, ao nosso desenvolver".

- Agora
"Agora estou saindo da sala de aula para fazer esta redação. Estou sentado em uma mesa do pátio do colégio quando vejo todos os meus colegas quietos fazendo suas redações. (mais 4 linhas) Olho para a cantina e vejo os pães-de-queijo me chamando. (mais 4 linhas) Neste momento está passando um cara todo errado com o cabelo pintado de vermelho e rindo à toa. Agora vejo o mesmo cara passando, só que acompanhado de três garotas. A Michele passa correndo como uma condenada. Lara escreve o que acabei de falar. Lembro-me
de algumas piadas do tipo nada a ver e começo a rir sozinho. Lara diz que o Gustavo é gostoso. Kahlil senta em nossa mesa e começa a falar besteira. Laira diz que não consegue parar de escrever. A professora pede para voltarmos para a sala".

- Agora - MTV
A qui
G eralmente
O correm
R aras
A ções

"Acabei de eretar minhas pernas e caminhar lentamente, porque eu estou escrevendo. Cheguei na quadra e estou deitada na arquibancada pensando no que ocorrerá no "agora" depois deste. (mais 6 linhas) Estou achando graça em ver os alunos caminhando por aí de caderno na mão.(mais 8 linhas) Será que a professora vai querer que a gente fique 30 minutos falando sobre um bando de "agoras?" É o que acabo de pensar. (mais 27 linhas)

- Meus pais - meus problemas; eu sou o problema de meus pais - foi uma conversa que trouxe à tona as mais diversas facetas de uma questão que normalmente se apresenta como bipolar. Utilizamos para esta conversa o tempo de uma aula e a redação foi feita em casa, com a proposta de se convidar os pais para uma discussão sobre o tema e participação na redação.

Esta proposta permitiu acontecer a reflexão séria sobre o relacionamento: adolescentes e pais, e promoveu encontros verdadeiros entre pais e filhos, muitos dos quais nunca tinham parado para ter uma conversa deste tipo. Os relatos foram riquíssimos em detalhes de seriedade, de comprometimento com a proposta e as produções foram emocionantes.

Realmente houve muitos casos de estreitamento das relações, de exposição de emoções e muitas das redações foram produzidas a duas ou três mãos.

- "Modelando-me na argila" - foi a atividade mais trabalhosa em termos de organização. Os alunos teriam que trazer todos, no mesmo dia: argila, jornais e plásticos. Providenciei: fios de nylon para cortar a argila, vasilhas para água, instumentos de madeira, aparelho de som e fita.

A vivência foi estruturada dentro das orientações dos trabalhos com crianças e adolescentes do livro de Violet Oaklander. Violet11 realmente tem razão quando diz que a argila "é maravilhosa porque é mole, macia, sensual e faz sujeira". Quanta sujeira! Mas felizmente tem também razão quando diz que "Ela aproxima as pessoas de seus sentimentos ".

Esta vivência teve um preparo na aula anterior no sentido da organização do ambiente, de que os alunos deveriam sentar no chão e que o clima de vivência, com respeito e o máximo de silêncio deveria existir. A maioria dos alunos entrou na vivência de uma forma muito rápida, e os que demonstraram resistência conseguiram expor todo o processo nas redações, isto é, a conscientização de suas dificuldades de contato com o material e de entrada na vivência aconteceu enquanto escreviam.

Conclusão

Neste trabalho, minha intenção foi apenas a de relatar minha experiência, levantando exemplos que evidenciem uma prática educacional orientada gestalticamente, sem me preocupar em lhe dar uma forma metodológica científica, pois penso que, mais importante que seguir caminhos propostos por outros, é ter a coragem e a ousadia de sair da trilha, de vez em quando, para vislumbrar novos horizontes.

Aprendi muito nestes quatro anos, aprendi sobre mim, descobri em mim paciência, compreensão e tolerância que estavam escondidas sob amontoados de regras didáticas e metodologias ultrapassadas. Aprendi sobre os adolescentes, com eles. Não precisei de livros para desvendá-los e não precisei marcar encontros; eles aconteceram gratuitamente sempre, como ofertas da vida emocionante de ser professora.

Cada vez que me vem à mente uma lembrança destes quatro anos, junto a ela cenas do filme O Carteiro e o Poeta, em que Pablo Neruda, exilado na Itália, passa a ensinar ao carteiro Mário Ruoppolo os mistérios da poesia. É maravilhoso acompanhar aquele homem simples se fazendo um verdadeiro poeta, sentindo e amando sua terra através das belíssimas paisagens, de suas cores e formas, de seus sons, de sua gente.

Tenho consciência de que, mais importante do que ensinar as técnicas da redação aos alunos, é lhes oferecer um ambiente tranqüilo e uma relação de confiança. Só assim, sentindo-se aceitos em sua individualidade, eles expõem seus sentimentos e suas emoções, produzem belíssimos textos, tornam-se poetas. Provavelmente, sem seguir a métrica tradicional, tornem-se pessoas mais inteiras, exteriorizando-se a cada momento, sem medo, sem pressa, na medida de seu próprio andar.

(Trabalho apresentado no VII Encontro Nacional de Gestalt Terapia - IV Congresso Nacional da Abordagem Gestáltica - De 8 a 12 de outubro de 1999 - Goiânia-GO - Publicado na Revista: Abordagem Gestáltica - Ecologia Humana e o III Milênio em CD).


Referências Bibliográficas

BUROW, O A & SCHERPP, K. (1985) Gestalt-Pedagogia: um caminho para a escola
e a educação. São Paulo: Summus Editorial.

FAGAN, J. & SHEPHERD I. L. (1980) Gestalt Terapia - Teoria, Técnicas e
Aplicações. Rio de Janeiro: Zahar Editores.

GINGER, S. & GINGER A.(1995) Gestalt - Uma Terapia do Contato. São Paulo:
Summus Editorial.

PERLS, F. S. (1977) Gestalt Terapia Explicada. São Paulo: Summus Editorial

POLSTER, M. & POLSTER,E. (1979) Gestalt Terapia Integrada. Belo Horizonte:
Interlivros.

OAKLANDER, V. (1980) Descobrindo Crianças - a abordagem gestáltica com
crianças e adolescentes. São Paulo: Summus Editorial.

RIBEIRO, J. P. (1987) Refazendo um Caminho. São Paulo: Summus Editorial.

ZINKER, J. (1979) El Processo Criativo. Buenos Aires: Editora Paidos.
  Índice

  O que é Gestalt-Terapia?
  O QUE É A GESTALT?
  ESCOLHA PROFISSIONAL
  A REDAÇÃO COMO EXPRESSÃO DO EU - UMA EXPERIÊNCIA GESTÁLTICA NA EDUCAÇÃO
  A POLARIDADE SAUDÁVEL DO PROCESSO DO ADOECER